Captação de recursos em 2026: Desafios para o mercado de crédito

O ano de 2026 inicia-se sob uma convergência rara de fatores macroeconômicos e geopolíticos. Para o empresário brasileiro, especialmente aquele que lidera empresas de médio porte, o cenário exige mais do que resiliência operacional; exige sofisticação financeira. Enquanto grandes corporações possuem tesourarias robustas para amortecer choques, o Middle Market encontra-se exposto a uma combinação de pressões incluindo custo de capital elevado e volatilidade de demanda.

O ambiente externo em 2026 não oferece o vento de cauda que emergentes como o Brasil historicamente aproveitaram. Pelo contrário, enfrentamos ventos contrários vindos das principais economias.

A política comercial dos Estados Unidos, marcada pelo retorno de uma agenda protecionista agressiva, popularmente referida como o “Tarifaço”, reconfigurou as cadeias globais de valor. A imposição ou ameaça de tarifas sobre importados não apenas encarece produtos para o consumidor americano, mas gera um efeito dominó de desvalorização cambial em países emergentes e retaliações comerciais. Para a indústria brasileira, isso significa perda de competitividade nas exportações e pressão sobre custos de insumos dolarizados.

A instabilidade gerada por conflitos latentes e a disputa tecnológica entre potências criaram um ambiente de aversão ao risco. O capital internacional, historicamente ávido por retornos elevados em países como o Brasil, torna-se mais seletivo. Investidores globais estão priorizando a segurança em detrimento da rentabilidade, o que enxuga a liquidez disponível para mercados emergentes, reduzindo a oferta de capital, e consequentemente crédito, no mercado local.

Um sintoma claro do medo global é a corrida desenfreada dos investidores americanos por ouro. Em janeiro de 2026, o metal renovou suas máximas históricas, ultrapassando US$ 4.600 a onça-troy (Fonte: Nord Investimentos/Morning Call). Esse movimento não é especulativo, é defensivo. Ele sinaliza que o mercado americano ainda teme uma inflação global estrutural e desconfia da capacidade dos governos de honrar dívidas soberanas crescentes sem desvalorizar suas moedas.

Apesar das expectativas de cortes pontuais pelo Federal Reserve, as taxas de juros americanas permanecem em patamares elevados quando comparadas à última década. Com o custo do dinheiro alto na “moeda de reserva” do mundo, o piso para os juros em países emergentes como o Brasil sobe, dado que por entregar mais risco do que os EUA, necessariamente o Brasil ou qualquer outra economia com risco percebido superior à “soberana”, tem necessariamente que oferecer juros mais elevados. O endividamento global recorde torna o refinanciamento de dívidas corporativas e soberanas mais caro, drenando recursos que poderiam ir para investimento produtivo.

Internamente, o Brasil enfrenta seus próprios paradoxos. Temos uma economia que cresce, mas pressionada por custos e incertezas políticas.

2026 é um ano eleitoral, e a história nos ensina que o prêmio de risco sobe à medida que as urnas se aproximam. A incerteza sobre a continuidade da política econômica e a disciplina fiscal gera volatilidade no câmbio e na curva de juros futura. O mercado financeiro antecipa problemas, encarecendo o crédito de longo prazo, vital para o Middle Market.

Diferente do boom de commodities do início da década, 2026 apresenta um cenário de preços deprimidos. Relatórios do Banco Mundial e análises setoriais indicam que commodities agrícolas e energéticas devem registrar em 2026 os menores preços em seis anos, impulsionados por um excesso de oferta global de petróleo e safras robustas (Fonte: World Bank/Portos e Navios). Para o Brasil, exportador líquido, isso significa menor entrada de dólares, pressionando o câmbio (encarecendo a dívida de empresas com captação em moeda estrangeira) e reduzindo a arrecadação, o que, por sua vez, limita a capacidade do governo de estimular a economia sem gerar inflação.

Curiosamente, a economia real mostra sinais de aquecimento que preocupam o Banco Central. Pesquisas recentes, como a da FIA Business School, indicam que mais de 54% das empresas planejam expandir o quadro de funcionários em 2026 (Fonte: Broadcast/FIA). O desemprego baixo é socialmente positivo, mas gera pressão salarial e inflação de serviços, dificultando a queda dos juros.

O balizador central para qualquer planejamento financeiro em 2026 é o comportamento da Selic e do IPCA. Os dados mais recentes do Boletim Focus (Janeiro/2026) trazem uma mensagem clara: o dinheiro provavelmente continuará caro.

  • Inflação (IPCA): O mercado projeta um IPCA de 4,05% para o fechamento de 2026. Embora dentro da meta, é um nível que não permite descuidos monetários (Fonte: Focus).
  • Taxa Selic: A projeção é que a taxa básica de juros encerre 2026 ainda em dois dígitos, em torno de 12,25% ao ano (Fonte: Focus).

Para uma empresa de Middle Market (empresas consideradas de médio porte, geralmente com faturamento bruto anual de aproximadamente até R$ 500 milhões) que capta recursos com spreads bancários adicionados à Selic, isso significa um Custo Efetivo Total (CET) que pode facilmente superar 20% ou 25% ao ano. Nesse patamar, projetos de expansão tornam-se inviáveis se não forem financiados com estruturas de capital extremamente eficientes ou com linhas subsidiadas.

As empresas de médio porte vivem um dilema em 2026. Elas são grandes demais para receberem pequenas linhas de crédito subsidiadas, via políticas de fomento social e econômico, mas muitas vezes não possuem a governança ou o volume para acessar o Mercado de Capitais com a facilidade das grandes empresas listadas em bolsa. Com os bancos tradicionais restringindo a concessão de crédito devido ao alto endividamento das famílias e risco de inadimplência corporativa, o Middle Market corre o risco de sofrer um “credit crunch” (escassez de crédito) justamente no momento em que precisaria investir para ganhar produtividade e enfrentar a concorrência global.

Diante de um 2026 volátil, pecar pela falta de estratégia financeira é um risco que nenhuma empresa deve correr. Na Rescue Consultoria, nossa atuação é desenhada para apoiar empresas em questões financeiras críticas, transformando a gestão do passivo em vantagem competitiva. Fale conosco e vamos entender como podemos apoiar a sua empresa em melhores captações de recursos nesse ano desafiador.

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